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Copyright © 2003 Carlos de PaulaNão pode ser reproduzido sem a permissão do autor 25
HORAS DE INTERLAGOS DE 1973 Por Carlos de Paula Em 1973,
o automobilismo brasileiro se encontrava em franca expansão. Com a economia em
alta (eram os anos do “Milagre Brasileiro”), e com a proibição de importação
de carros de corrida, criou-se o ambiente adequado para a volta das corridas de
longa distância com carros “made in Brazil”. Assim implementaram-se as
corridas de Divisão 1, com carros de passeio quase sem preparo. Só se
permitira a retirada de para-choques, de calotas, colocação de rodas de magnésio
no máximo 1,5 polegadas maiores do que as originais, colocação de pneus
radiais e equipamentos de segurança (santo-antonio, etc). A
primeira dessas provas, as 25 Horas de Interlagos, acabou se tornando épica,
por uma série de razões. Primeiro, foi a estréia do Ford Maverick V-8 nas
pistas brasileiras, iniciando uma rivalidade com o Chevrolet Opala que até hoje
perdura, embora ambos os modelos não sejam produzidos há muitos anos. Também
estrearam nas competições, nessa prova, o VW Brasilia, o Dodge 1800 e o
Chevette. Contou com a participação de muitos pilotos de primeira, inclusive
alguns que já estavam afastados das pistas. Também foi a despedida do grande
Chico Landi das competições. E foi uma boa corrida. Antonio
Carlos Avallone foi o idealizador das 25 Horas, prova patrocinada pela Souza
Cruz (chamou-se, oficialmente, de Taça Souza Cruz) que contou com 70 inscritos.
Foram realizadas provas de classificação, visando garantir a participação de
todas as classes. No final, o Opala 4.1/3.8 foi o carro mais representado: 14,
contra 5 Maverick, 3 Dodge Charger(Dart), 3 FNM 2150, 2 Opala 2.5, três Dodge
1800, 6 Chevettes, 7 Corcel, 7 VW 1500, 2 Brasilias e 4 VW 1600. Esperava-se
que todos os carros de passeio produzidos no Brasil pudessem participar desta
nova categoria. Assim, essencialmente criaram-se classes cujo óbvio propósito
era enquadrar carros que raramente eram usados nas competições brasileiras,
por exemplo, o Ford Corcel e o Dodge Charger. Embora a divisão 3 fosse dividida
em três classes (A, B e C), as 25 Horas de Interlagos de 1973 tinha cinco
categorias: a E (acima de 5 litros, de lambuja para o Dodge Charger); D (de 3 a
5 litros, protagonizada pelo Maverick e pelo Opala 4.1 ou 3.8); C (de 2 a 3
litros, para o FNM 2150 e Opala 2.5); B (de 1.6 a 2 litros, para o Dodge 1800) e
a A (até 1.6 litros, para o Corcel, Fusca, Brasilia, Chevette). A ordem de
largada seria feita na ordem das categorias: ou seja, os Dojões largariam na
frente de qualquer maneira, seguidos dos Opalas e Mavericks, etc. etc.
Quanto a
pilotos, muitas novidades. Primeiro, em vez de duplas, os carros seriam
pilotados por trios(salvo duas exceções). Um Corcel da equipe de Greco era
pilotado por três jornalistas especializados: Fernando Calmon, Mathias Petrich
e Luis Carlos Secco. Chico Landi faria a sua última corrida, aos 63 anos,
dividindo um Maverick com seu filho, Luis, e com Antonio Castro Prado. Estava
presente a equipe Hollywood, com um Maverick, pilotado por Luis Pereira Bueno,
Alex Dias Ribeiro e Tite Catapani. Jayme Silva correria com o Dodge Charger que
sairia na pole com seu ex companheiro Jose Francisco Martins (Toco), da época
da Simca, e outro veterano, Roberto dal Pont. Greco voltava às competições
brasileiras, com outra fera: Bird Clemente, que dividia seu carro com o irmão
Nilson e a fera da Formula Ford, Clovis de Moraes (Os Clemente haviam ganho a última
prova de 24 Horas no Brasil, em Interlagos, 1970, com um Opala). O melhor Opala,
desde o princípio da corrida, era o laranja da equipe Brahma, que deveria ser
pilotado por Jose Carlos Ramos, Bob Sharp e Jan Balder. E bons pilotos de
basicamente todas as categorias do futuro, presente e passado do automobilismo
brasileiro estavam presentes: Jose Pedro Chateaubriand, Pedro Muffato, Vital
Machado, Edson Graczyk, Pedro Victor de Lamare, Ugo Galina, Mario Pati Jr, Mario
Ferraris, Ingo Hoffman, Marivaldo Fernandes, Totó Porto, Afonso Giaffone, Jose
Romano, Edson Yoshikuma, Mario Olivetti, Jose Maria Giu Ferrareira, Newton
Pereira, Jose Lotfi, Luis Evandro Aguia, Edgar Mello Filho, Roberto di Loreto. Três
Dodges partiram na frente, mas claramente não aguentariam o ritmo dos Maverick
e Opalas por muito tempo: Jayme Silva, o mais rápido dos Dojões, marcou
3m58.547, e o melhor Maverick, de Chico Landi, marcou 3m54.309 s, ao passo que o
melhor Opala, de Edson Yoshikuma, cravou 3m57.038s. Jayme conseguiu sair na
frente, mas logo foi superado pelos Mavericks e Opalas. Estes levavam a vantagem
numérica, e de ser reabastecidos a cada 29 voltas, ao passo que os Mavericks
precisavam entrar nos boxes a cada 20. Desde cedo ficou
claro que a briga ficaria entre o Maverick número 20 da Dropgal Ford,
dos irmãos Clemente e Clovis de Moraes, e o Opala 7 da Brahma, de Jan Balder e
Bob Sharp (que acabaram correndo sozinhos). Quando o
dia amanheceu, o Opala ainda liderava, mas uma desastrada troca de pneus
praticamente garantiu a vitória aos pupilos de Greco. No final, o Maverick
ganhou do Opala por somente 45 segundos de diferença, após 25 horas de corrida.
Ficou patente, entretanto, a
superioridade dos Maverick: apesar da vantagem numérica do Chevrolet, só o
Opala da Brahma figurava entre os cinco primeiros. O único Maverick fora das
primeiras colocações foi o do fraco trio De Camilo/Naja/Costa, que chegou em
13°.
Esta performance iniciou a briga que marcaria as corridas de longa duração nos
próximos anos, causando uma forte debandada para o Maverick, que começou a ser
revertida em favor do Opala em 1976 (mais informações
clique aqui). Para a
Chevrolet restou o prazer de bater os FNM na fraca classe C, ganha por Raul
Natividade/Estanislau Franco e Jose Ferreira, e de ganhar a concorrida classe A,
com um Chevette pilotado por Milton Alves/Amaury Mesquita e Antonio Ramos, que,
completando 335 voltas, bateu o segundo colocado na classe (uma Brasilia) pela
pequena margem de 1 volta. A
tentativa de enquadrar a Chrysler na festa foi infrutífera: nenhum dos Dodges
Charger da classe E, nem os Dodge 1800 da classe B, conseguiram terminar a
corrida, que contou com 34 classificados (56 carros largaram). Foram
realizadas diversas outras provas de longa duração naquele ano, embora não
houvesse um campeonato organizado, estabelecendo-se desde então a vantagem da
equipe de Greco (que no próximo ano se tornaria a Mercantil/Finasa Ford). Os
500 km de Interlagos e as Mil Milhas (esta aberta para carros de Divisão 3)
também foram ganhas pelos Irmãos Clemente, sem o auxílio de Clovis de Moraes.
Classificação
Final das 25 Horas de Interlagos de 1973 Tempo
dos vencedores: 25 horas, média de 117,808 km/h
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