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Lembre-se sempre de dizer que viu na Brazilian Yellow Pages.
A
CARREIRA INTERNACIONAL DE INGO HOFFMAN Por
Carlos de Paula Opiniões
dividem-se sobre questões subjetivas. Quem foi o melhor piloto de todos os
tempos? Alguns dizem Senna, outros Fangio, e ainda outros, Schumacher. Não
faltam os fans de Clark e Nuvolari. Alguns mais exóticos mencionariam, Caracciola e
Rosemeyer. Sobre questões objetivas há poucos fatos a debater: os números
dizem tudo. E sob essa ótica, Ingo Hoffman é o piloto que maior sucesso obteve
em corridas locais brasileiras. Ponto final. Dono de
dezenas de títulos, que já começou obtendo logo no seu primeiro ano no
automobilismo profissional, em 1973, Ingo também teve sua fase internacional,
entre 1975 e 1978. Ingo
começou como estreante em Interlagos em 1972, dirigindo, pasmem, um Karmann
Ghia TC. Graduou-se como piloto de competições, e com patrocínio da Creditum,
começou a participar das corridas de Divisão 3 com um Fusca. Ganhou o
campeonato batendo, entre outros Alfredo Guaraná Menezes, Edson Yoshikyma, Alex
Ribeiro e Júlio Caio de Azevedo Marques. Continuou na categoria em 1974,
ganhando-a novamente só que desta feita com uma Brasilia (uma cópia desta tem
corrido no campeonato de autos antigos, foto a seguir), e participou também da Fórmula
Super-Vê. Ganhou a primeira prova da categoria no país, e embora tenha
largado na pole em todas as seis corridas, acabou em terceiro no campeonato.
Wilson Fittipaldi Junior ajudou a preparar o carro. No começo do ano, os dois
dividiram um Opala da Equipe Itacolomy nas 25 Horas de Interlagos, ganhando a
prova com Reinaldo Campello. Começara aí um relacionamento que ao mesmo tempo,
levaria Ingo à F-1, e acabaria com suas chances na categoria. Cópia
da Brasilia de Ingo Hoffmann, que corre no Campeonato de Autos Antigos No ano
seguinte, Ingo partiria para a Europa, para correr na Fórmula 3. Em 1974 muitos
brasileiros correram na fraquíssima categoria, muitas provas com menos de dez
carros. Mas o único a obter um pouco de sucesso fora Alex Dias Ribeiro, com
duas vitórias e um vice-campeonato. Este voltaria para a categoria em 1975,
desta feita como piloto oficial da March. Ingo, por sua vez, contava com o mesmo
equipamento, um March 753 com motor Toyota, mas sem as atenções de fábrica
que abençoavam Alex. Ingo
perdera a primeira corrida do torneio BP, mas em 27 de abril, fez sua primeira
corrida de F-3, em Silverstone. Não fez feio para um estreante, chegando em 5°
lugar. Em retrospectiva, a leva de F-3 de 1975 não foi das piores, mas também
não foi das melhores. Os maiores destaques do campeonato foram Gunnar Nilsson,
que acabou ganhando o campeonato e foi o único do grupo a vencer na F-1, Alex,
Eddie Cheever, que veio a correr na F-1 durante muitos anos e ganhou a Indy-500,
e outro americano que ganhou em Indy, Danny Sullivan. Alguns outros pilotos
prometiam, mas nunca chegaram aos níveis mais altos de sucesso no automobilismo:
o australiano Larry Perkins, que chegou a correr na Brabham em 1976, seu irmão
Terry, Rupert Keegan a Patrick Neve. A grande promessa Tony Brise correu só em
Monaco. O resto caiu no ostracismo. Ingo
no começo da carreira A grande
corrida da F-3, na época, era a prova de Monaco. Nessa época se inscreviam
quase cem carros na corrida, mas muitos não apareciam, e outra grande parte nem
se classificava para as baterias. Ingo conseguiu se classificar para a sua
bateria, a primeira, largando em 10°
e chegando em 9°
na classificatória. Na final, Ingo teve um excelente desempenho, chegando em 6°
lugar, a quase um minuto do vencedor Renzo Zorzi. Uma
semana depois, o circo britânico estava de volta para uma corrida em Brands
Hatch. Ingo alinhou na sétima posição no grid, e chegou na mesma posição na
corrida, que incidentalmente, foi ganha por Alex Dias Ribeiro. Três largadas, e
três chegadas, nada mal para o rookie. O
primeiro abandono veio uma semana depois, em Thruxton, com problemas no
acelerador. Ingo estava inscrito para uma prova em Nurburgring, e não
compareceu, mas estava presente na prova de apoio do GP da Suécia, em
Anderstorp. Ingo largou em 12°
lugar e chegou em 9°,
em prova na qual Alex largou em 1°
e se acidentou. A próxima
corrida do BP foi em Snetterton, e nessa Ingo obteve seu primeiro pódio,
chegando em 3°
a oito segundos de distância do vencedor Nilsson. Em seguida, uma semana depois,
Ingo participou de uma corrida extra campeonato em Cadwell Park, chegando em 2°,
embora os concorrentes fossem fracos. Ingo não participou do GP da Loteria de
Monza, mas no mês seguinte, ocorreu a prova do BP em Caldwell Park na qual Ingo
chegou em 4°
lugar. A próxima prova foi a segunda mais importante do ano, a preliminar da
F-1 em Silverstone. Ingo esteve longe de se sobressair nos treinos, como o pole
Alex, mas na corrida chegou de novo na frente do brasiliense: 6°
lugar, na frente inclusive de Mike Wilds, que já tinha experiência na F-1. Em
Oulton Park, Ingo novamente chegou no podium, com um terceiro lugar honroso, após
largar em 6°.
Em seguida, correu em Knockhill, Escócia, em corrida extra-campeonato, e chegou
em 4°,
de novo na frente de Alex. A próxima prova do campeonato foi em Thruxton, e
novamente Ingo chegou em 3°,
após largar em 4°.
Mais importante foi o fato de ter conseguido segurar Gunnar Nilsson, com March
oficial. A
temporada já ia chegando ao fim, e Ingo não estava com chances de ganhar o
campeonato, mas tinha acumulado pontos suficientes para figurar entre os
primeiros. Alex, por outro lado, brigava pelo título, apesar da superioridade
de Gunnar. O resultado na prova não foi bom para Ingo, 8°
lugar, mas largou na primeira fila pela primeira vez, em segundo lugar,
verdadeiro sanduíche entre os americanos Cheever e Sullivan. Na semana seguinte,
outra prova em Silverstone, com outra vitória de Cheever e só o segundo
abandono de Ingo no ano. No Polydor Records Trophy, a má fase de Ingo persistia
com outro abandono. A 15a.
etapa do campeonato foi em Brands Hatch, e embora largando em 5°,
Ingo só conseguiu o 6°
lugar na corrida, 11 segundos atrás do vencedor. A anti-penúltima prova do
campeonato foi em Silverstone, mas Ingo não participou.
O circo voltara a Oulton-Park, para a penúltima prova do BP, e aqui, a
primeira (e última) vitória de Ingo na Europa.
E que vitória: pole, melhor volta, e dobradinha brasileira com Alex em 2°.
Os mais afoitos já começavam a ver o nascimento do segundo campeão mundial
brasileiro. A última prova do BP ocorreu em Thruxton, não fechando bem a
carreira de Ingo na F-3. Outro abandono e 6°
no campeonato. Só que a essa altura, Ingo podia se dar ao luxo de abandonar:
era o único piloto da classe de 1975 com passaporte garantido para a Fórmula
1: o amigo Wilson o contratara com segundo piloto da Copersucar, como parceiro
de Emerson na temporada de 1976, preterindo o mais experiente Alex Dias Ribeiro.
Para acostumar-se com carros de maior cilindrada e potência, Ingo alugou um
carro de Fórmula 5000, de Tony Dean, para as últimas corridas do Campeonato
Europeu da modalidade (que também fora o último campeonato da categoria na
Europa). O
Chevron B 28 de Dean era um carro do ano anterior. Até aquele ponto, não
conseguira grandes coisas no campeonato. E por razões que não consegui apurar
até hoje, Dean foi preso em agosto, e o carro ficou disponível a partir de então.
O grande momento de Tony Dean foi quando venceu uma prova da Can Am, em 1970,
com um Porsche 908 de 3 litros, batendo as hegemônicas McLaren e todos os
outros monstros com motores de até 8 litros. Isto equivaleria, na atualidade, a
uma vitória de uma Minardi numa corrida de F-1. Longe da glória, em 75 Dean
encontrava-se no xilindró, e Ingo pilotando seu carro. A
primeira corrida de Ingo na categoria foi em Silverstone, onde largou em 5°
lugar, na frente de Peter Gethin, o rei da F-5000. Na corrida, ganha pelo futuro
campeão mundial Alan Jones, chegou em 7°
lugar. Na próxima prova, em Snetterton, nem sinal de Ingo, que compareceu em
Mallory Parkh. Infelizmente, a vida na F-5000, com o carro de Dean, não estava
tão fácil. Ingo marcou o antepenúltimo tempo e, com defeito nos treinos, não
conseguiu largar. A última prova do campeonato foi em Brands Hatch, e apesar de
não marcar tempo, largando na última fila, Ingo conseguiu um excelente 4°
lugar na prova, ganha, nada mais justo, por Peter Gethin.
1975
Para
1976, Ingo Hoffman correria na F-2 e na F-1, quando fosse possível para a
Copersucar alinhar dois carros. No final das contas, Ingo acabou estreando na
F-1 antes de estrear na F-2. O local, apropriadamente, foi o Grande Prêmio do
Brasil de 1976, no qual Emerson Fittipaldi estreava na equipe do irmão. Pode-se
dizer que a estréia de Emerson, e até mesmo de Ingo, foi anti-climática. No
primeiro dia de treinos o Copersucar
marcou o 3°
tempo, e acabou largando em 5°,
nada mal para um carro no segundo ano de F-1. Infelizmente, nunca mais a equipe
repetiria a performance até fechar as portas em 1982. Bem, o artigo não é
sobre Emerson, se quiser ler mais clique
aqui. Voltemos ao Ingo. Correndo com o FD 03, o carro da temporada anterior,
Ingo conseguiu largar na frente de três pilotos, inclusive do duas vezes vice-campeão
mundial Jacky Ickx, chegando em 11°
lugar, na frente inclusive de Fittipaldi. Excelente desempenho para um estreante.
Ingo ainda participaria de mais GPs nesse ano, começando com o de Long Beach,
em 28 de março, desta feita com o FD04. Infelizmente não conseguiu se
classificar para a largada, mas marcou melhor tempo do que Jacky Ickx na
Williams (novamente), Arturo Merzario e uma das Lotus, entre outros. Ingo tentou
classifricar o FD04 em Jarama, Espanha, e teve o seu pior desempenho em provas
do mundial: seu melhor tempo foi mais de 30 segundos mais vagaroso do que o pole
Hunt, devido a severos problemas com o motor. Em Paul Ricard só o fraco Loris
Kessel foi mais vagaroso do que ele. Esta foi sua última participação na F-1
neste ano, já que a temporada da Copersucar acabou indo de mal a pior.
Havia
uma peça de teatro, nos anos 60/70, que se intitulava “A teoria na prática
é a outra”. Em tese, a temporada de Ingo na F-2 tinha tudo para dar certo.
Correria com um March, na equipe Willi
Kauhsen. Esta era uma das melhores
equipes da Interserie, e que em 1975 havia sido escolhida pela Alfa-Romeo para
alinhar seus carros no Mundial de Marcas. A WKRT só perdeu uma corrida, para a
Alpine, e decidiu abandonar os carros esporte e entrar na F-2 em 76.
Infelizmente, foi má escolha. Em 1976 a F-2 estava muito competitiva,
principalmente devido ao forte apoio dado pela Renault à Martini e à Elf, e
pela BMW à equipe March de fábrica. O motor Hart acabou sendo uma péssima opção,
e a primeira temporada de Ingo em F-2 não foi grandes coisas. Para piorar,
existiu sempre uma tendência de comparar um brasileiro ao outro contemporâneo.
Aconteceu com o Pace e o Emerson, com o Serra e o Piquet, e com o Piquet e o
Senna. Na comparação com Alex Dias Ribeiro, Ingo estava perdendo de lavada.
Entre outras coisas, com forte apoio da Caixa Econômica Federal, Alex estava na
forte equipe March, de fábrica. A
primeira prova, em Hockenheim, foi promissora. Ingo chegou em 2°
na primeira bateria, mas na segunda, apesar de marcar a volta mais rápida,
acabou ficando muitas voltas atrás. Entre outras coisas, Ingo se destacou em
relação ao seu companheiro de equipe, Klaus Ludwig, que viria a se tornar um
dos principais pilotos de carros esporte e de turismo dos anos 80 e 90. E também
se sobressaiu em relação ao Alex. Uma
semana depois, em Thruxton, os papéis se inverteram. Alex largou na primeira
filae chegou em 2°,
e Ingo chegou em 5°,
mas pelo menos marcara os primeiros pontos do ano. Em Vallelunga, largou na 12a.
posição e se chocou com Dolhem logo no começo da corrida. Não passou da
primeira volta em Salzburgring. Em Pau, apesar de classificado para a largada, não
alinhou, devido a um acidente. Não participou da segunda prova em Hockeinheim,
voltando ao cirquinho em Rouen. Lá, obteve um honroso 6°
lugar, seus últimos pontos do ano. Em Mugello, chegou em 8°
lugar, com o consolo de se sair melhor do que Ludwig e de ter o melhor
classificação entre os carros com motor
Hart. Não se classificou para a largada em Enna, devido a acidente nos treinos
e nem viajou para Estoril. Não obteve classificação novamente em Nogaro, mas
largou em 12°
na segunda corrida de Hockeinheim, chegando em 8°,
novamente o melhor Hart colocado. E assim terminou o ano de Ingo, que tanto
promeita. Três parcos pontos, 14°
no campeonato, enquanto Alex Dias Ribeiro marcara 31 pontos, com diversos
segundos lugares. 1976
Com o
benefício da retrospectiva, é fácil analisar que teria sido melhor para Ingo
fazer uma segunda temporada de F-3, como fizeram Nelson Piquet e Chico Serra.
Sua carreira foi muito apressada, principalmente por que, quando saiu do Brasil,
só tinha dois anos de experiência como profissional, dirigindo carros de motor
VW e baixa potência. Se tivesse feito uma segunda temporada de F-3, digamos, na
equipe oficial da March, de certo teria obtido bons resultados. Acabou numa
equipe de F-2 que nunca foi mais do que uma aventura (no ano seguinte, a Kauhsen comprou os Elf-Renault, e conseguiu ter um péssimo desempenho com o
carro campeão de 1976, apesar de marcar a pole na prova inicial. Eventualmente,
terminou na F-1, sendo uma das piadas da F-1 nos anos 70.). Para
1977, Ingo embarcou em um esquema de Formula 2 muito mais profissional, o
Project Four de Ron Dennis. Organizadíssimo, o ex-mecânico demonstrava
bastante talento no começo da sua carreira de manager. Na própria F-2, sua
equipe Rondel ganhou muitas corridas entre 1971 e 1973, e após um breve flerte
com a Fórmula 1 (não concretizado), Ron Dennis voltara à F-2. Em 1977,
alinharia Ingo Hoffman e Eddie Cheever, dois jovens promissores, com chassis
Ralt e motor BMW-Mader. Mas antes disso, não podemos esquecer as últimas
experiências de Ingo na Fórmula 1, sempre na equipe Copersucar. Perseverando
com o FD04, o carro, agora em cor amarela, seria usado por Emersaon e Ingo na
Argentina e no Brasil. As duas corridas foram disputadas em calor intenso, a da
Argentina lembrando as épicas caldeiras de 1955 e 1956. Na Argentina, Ingo
conseguiu ser mais rápido nos treinos do que Alex e Renzo Zorzi, mas o motor
pifou na 23a. volta. No Brasil, Ingo ficou na frente de 3 carros no
grid, e quase pontua: chegara em 7°,
2 voltas atrás do vencedor. O Fittipaldi ainda estava longe de ser rápido, mas
pelo menos provara ser resistente: aproveitamento de 75% nas duas primeiras
corridas, onde houve grande porcentagem de abandonos.
Mas apesar de pontuar em 3 das 4 primeiras corridas, a temporada da
equipe não foi tão melhor quanto a de 1976, e novamente, a idéia de correr
com dois carros durante o ano inteiro foi posta de lado. O GP do Brasil de 77
acabaria sendo a última corrida de F-1 de Ingo. Mas
havia bastante trabalho a ser feito na F-2: tirar a má impressão deixada em
1977. E Ingo começou bem: 4°
lugar em Silverstone. Em Thruxton, Ingo abandonou, repetindo a performance em
Hockeinheim. Em Nurburgring, voltou a terminar uma corrida, chegando em 7°,
mas teve superaquecimento e abandonou em Roma. Em Pau Ingo chegou em 8°,
e ficava evidente que o Ralt não era o chassis mais veloz da F-2. Em Mugello
sua performance foi pior ainda, 9°
lugar. Em Rouen, Ingo teve a satisfação de marcar a volta mais rápida e
chegar em 5°,
com seu teammate ganhando a corrida. Cabe ressaltar que Eddie Cheever era um dos
pilotos do BMW Junior Team, naquele ano, e tinha tratamento preferencial da BMW.
Em Nogaro, Ingo atingiu o seu primeiro pódio na F-2, com um 3°
lugar, chegando na frente não só de Cheever, como Rosberg, Giacomelli, Surer e
Alain Prost que estreava na F-2. A boa fase continuou em Enna e em Misano, com
dois outros 3°
lugares. Nesse final de campeonato Ingo emparelhou com seu companheiro de equipe
Cheever em termos de desempenho, mas este havia acumulado muitos pontos no começo
do campeonato. No Estoril, Ingo teve um acidente na 42a. volta, e
abandonou na última prova, em Donington. De modo
geral, a temporada foi muito positiva para Ingo, não só pelos pódios, mas
também pela melhor volta obtida em uma corrida. Para os team managers da época,
Ingo poderia ser um sólido segundo piloto, nos moldes de Jochen Mass, embora não
demonstrasse ser futuro candidato a campeão mundial. Terminou o campeonato em 7°,
com 18 pontos. 1977
A
temporada de 1978 seria a última cartada de Ingo na F-2. Na base do ou vai ou
racha, voltou a correr com a Project Four, que passaria a usar o chassis March,
bem melhor do que o Ralt. Com patrocínio da Ellus, Ingo se afastou da
Copersucar, que embora estivesse em vias de ter a sua melhor temporada na história,
estava longe de ter condições de alinhar dois carros. Na verdade, a aliança
com a Copersucar era até um pouco queimação de filme para Ingo naquela altura,
impedindo-o de explorar outras alternativas. Entretanto,
de novo em tese as coisas deveriam melhorar para Ingo naquele ano, mas de fato
pioraram para a Equipe Project Four toda. Cheever fora vice-campeão com o Ralt
em 1977, e marcara 40 pontos. Em 78 não passou de 22 pontos, e não ganhou
sequer uma corrida.O campeonato foi completamente dominado por Bruno Giacomelli,
da equipe oficial da March, que ganhou oito provas, e foi bem escudado por Marc
Surer, seu companheiro de equipe. Em
Thruxton, Ingo começou mal o ano, com acidente antes de completar a primeira
volta.Em Hockenheim, Ingo chegou em 4°
na pista, mas como Jean-Pierre Jarier chegou em 3°,
e era piloto graduado, Ingo levou os 4 pontos. Em Nurburgring, Ingo pontuou com
6°
lugar, no palco da épica vitória de Alex Dias Ribeiro. Em Pau, repeteco da
primeira prova, mas outra boa performance em Mugello, 4°
lugar. Voltou a não completar a primeira volta, por causa de acidente, em Roma.
Acidentou-se também em Rouen, mas desta vez passou de 30 voltas. Voltou a
pontuar em Nogaro, com 5°
lugar. Mas em Enna, outro abandono, com problemas na roda. Em Misano Ingo chegou
em 10°,
e ficara claro, a esta altura, que as coisas estavam perdidas.
Em Hockenheim, na última corrida do ano, Ingo chegou em 14°,
e ficava evidente que ali chegava o fim da sua carreira na F-2, e portanto, na
F-1. Entretanto, Ingo ainda teve a oportunidade de se vingar da má sorte. No
final do ano realizou-se uma pequena “Temporada de F-2” na Argentina, com
duas corridas, uma em Mendoza e a outra em Buenos Aires. Em Mendoza Ingo teve
problemas de pneus, e abandonou. Mas em Buenos Aires, justo na sua última
corrida de F-2, Ingo ganhou. E não foi pouca coisa: pilotos de F-1 participaram
da “Temporada”, Clay Reggazoni e Jean Pierre Jarier, e todos os grandes
protagonistas do Europeu disputaram o torneio. O campeoníssimo Giacomelli e seu
sidekick Surer tiveram acidentes logo na primeira volta e abandonaram. Assim,
Ingo coroava a sua breve carreira internacional com sua maior vitória no
exterior.
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