brazilyellowpages.com

Google
 

[Under Construction]

HOME PAGE - FORMULA 1 DRIVERS LISTINGS

AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

RACE WINNERS

FORMULA 1 MANUFACTURERS

FORMULA 1 DRIVERS PER NATIONALITY

BRAZILIAN PRODUCTS

HAVAIANAS

ENCICLOPÉDIA DE AUTOMOBILISMO BRASILEIRO

MORTGAGES

RACING NEWS

BRAZILIAN MUSIC

FLORIDA

MEDICAL INFORMATION

COFFEE

INTERNET DOMAINS

REAL ESTATE

BRAZILIAN EXPORTERS

BRAZILIAN IMPORTERS

TRANSLATIONS

MEXICAN IMPORTERS

AMERICAN IMPORTERS

PERSONAL FINANCING

CREDIT

TRAVEL

IMMIGRATION

INTERNET

PORTUGUESE BUSINESS DICTIONARY

VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL

CAMPEÕES BRASILEIROS DE AUTOMOBILISMO

 

BRAZILIAN PRODUCTS

TRADUÇÕES JURAMENTADAS

PASSAGENS

MEDICAL INFORMATION

IMPORTERS

INTERNET

JOBS

WEB HOSTING

CIFRAS MUSICAIS

REAL ESTATE

ARTICLES

COFFEE

MORTGAGES

AUTO RACING

RECEITAS

EXPORTERS

PERSONAL FINANCE

CREDIT ISSUES

 TRAVEL

ARTIGOS

CRÔNICAS

FUTEBOL

REVISTAS DE AUTOMOBILISMO NO BRASIL

Por Carlos de Paula

 

Escrever sobre automobilismo brasileiro é uma façanha difícil. Há uma carência muito grande de informações, e às vezes, grandes discrepâncias. Listas de inscritos e resultados de corridas contém terríveis erros ortográficos, que freqüentemente impedem a identificação correta de pilotos, carros e escuderias. Os órgãos e clubes de automobilismo não são muito dados a consultas, além do que existe uma dispersão muito grande de dados, que data da época das homéricas brigas entre o ACB e CBA, isso sem contar arquivos perdidos ou danificados.

 

Assim, muitas das pesquisas são realizadas em consultas à mídia escrita, significando em grande parte a imprensa especializada, e de forma secundária, a mídia generalizada, ou seja jornais e revistas. É, senhores, não existia Internet há cinquenta anos atrás!!   

 

Até os anos 60 o automobilismo era um esporte esparsamente praticado no Brasil. Os dois grandes pólos eram São Paulo, onde existia o autódromo de Interlagos, e o Rio Grande do Sul. Também havia corridas com certa freqüência no Rio de Janeiro, Paraná, e, esporadicamente, em outros lugares, mas nada que justificasse a existência de uma mídia especializada na época.

 

Diga-se de passagem, a mídia brasileira inteira dos anos 50 tinha um caráter generalizado. Basta constatar que até mesmo a primeira revista semanária jornalística de cunho nacional, no molde da Time, só viria a ser publicada na segunda metade dos anos 60, a Veja. Pouco havia em termos de mídia nacional, com exceções como a revista o Cruzeiro, e, de fato, o Brasil era composto de diversos brasis. Aqui e ali, o Cruzeiro publicava notinhas sobre automobilismo.

 

Tecnologias e tempos diferentes vieram, que levaram a uma maior integração do país. As telecomunicações, a TV, aviões de maior porte, crescimento das empresas, estradas, satélites, tudo isso contribuiu para a formação de uma verdadeira mídia de alcance nacional.

 

Ainda assim, o automobilismo era essencialmente regional nos anos 60. Se até mesmo o futebol, paixão nacional, era basicamente regional e só veio conhecer um verdadeiro campeonato nacional em 1971, o que esperar do nosso pobre automobilismo! Surgiam, revistas “especializadas” que não sobreviviam muito tempo, editadas por abnegados entusiastas com bolsos rasos.

 

A primeira revista de alcance nacional a dar cobertura ao automobilismo foi a Quatro Rodas, lançada pela Editora Abril em 1960. Inicialmente uma revista de turismo, a Quatro Rodas logo passou a editar artigos sobre automóveis, visto a sinergia entre os assuntos, além do que, o interesse pelo turismo não era tão grande na época. Uma coisa leva à outra, e após alguns artigos e uma recatada coluna de uma página sobre competições, surgiu a seção Alta Rotação, em 1963. Inicialmente, esta era situada no começo da revista.

 

Logo viria concorrência, e brava. A Auto Esporte foi lançada pela editora EFECE do Rio de Janeiro no final de 1964, com a proposta de tratar somente de automobilismo de competição, ao passo que a Quatro Rodas cobria automóveis, turismo, competição e até mesmo o complicado trânsito de São Paulo.  

 

Ficaram claras desde o inicio as identidades de cada revista. A Quatro Rodas tinha um enfoque mais “jornalístico”, ao passo que a Auto Esporte era obviamente elaborada por amantes do metiê. Logo a Auto Esporte começou a promover rallyes, publicando o primeiro ranking brasileiro de pilotos no final de 1966, ao passo que a Quatro Rodas se defendia com o Prêmio Victor de Automobilismo. A Auto Esporte também começou verdadeira campanha para implementar a Fórmula Vê no Brasil, assunto tratado com certa distância pela QR. Esta dedicava um espaço restrito às corridas, passando a seção Alta Rotação para o final da revista, freqüentemente deixando de publicar os resultados das corridas cobertas, ao passo que a Auto Esporte dedicava muitas páginas a cada evento, com muitas fotos e resultados detalhados. Entre outras coisas, a Auto Esporte cobria corridas em longínquos locais como Natal, Lages (SC) e até mesmo o automobilismo argentino (quando faltava assunto no nacional), ao passo que a Quatro Rodas se restringia às corridas mais importantes em São Paulo e Rio .

 

Até mesmo fotos femininas foram usadas no combate entre as duas revistas. Quando a Auto Esporte começou a publicar fotos e desenhos de mulheres em trajes menores no calendário automobilístico publicado no encarte central, a Quatro Rodas chegou a publicar alguns ensaios de modelos vestidas de biquínis, com carros diversos, inclusive o protótipo Bino da Willys.

 

Nos anos 60 a Editora Abril já era poderosa no Brasil, certamente mais poderosa do que a EFECE, que além da Auto Esporte publicava a revista Fairplay, precursora das revistas masculinas brasileiras. Assim, podia promover visitas de ex-pilotos ou pilotos atuais ao País, principalmente para entrega do Prêmio Victor. Entre estes, estiveram no país como convidados da revista Joakin Bonnier, Piero Taruffi e Phil Hill, que puderam examinar as condições locais, e até mesmo dar dicas sobre a reforma de Interlagos.

 

Apesar de todo entusiasmo, a Auto Esporte se viu forçada a incluir na sua pauta testes de automóveis, efetivamente tornando a Auto Esporte uma revista de automobilismo e automóveis e motocicletas. Com isso aumentou sua tiragem, número de leitores e nível de anunciantes, mas resultou numa diminuição da cobertura esportiva, logo desaparecendo as corridas regionais e reportagens interessantes de automobilismo de competição em outros cantos do mundo. O automobilismo argentino, tão presente no começo da revista, simplesmente sumiu do mapa.

 

Nos idos de 1969 a qualidade gráfica de ambas as revistas já era muito boa, com muitas fotos a cores, e nesse mesmo ano, começa a mudar o foco de cobertura do nosso incipiente automobilismo doméstico para o internacional. Dois fatores contribuíram para isso: o fechamento de Interlagos e o sucesso de Emerson Fittipaldi, Luis Pereira Bueno e Ricardo Achcar na Europa.

 

De fato, as coisas mudaram muito rápido. A história de Emerson é abordada em diversos locais deste site, mas com a entrada deste na Fórmula 1, as revistas passaram a focalizar mais a cobertura da categoria maior do automobilismo, sem contar também as categorias menores, como F-2, F-3 e F-Ford, onde corriam outros brasileiros. A Auto Esporte continuava a oferecer melhor cobertura, com excelentes gráficos não só para os Grande Prêmios de Fórmula 1 como para certas corridas brasileiras, principalmente provas de longa duração, como as Mil Milhas e 12 Horas de Interlagos.

 

Só que a Quatro Rodas tinha o peso da Editora Abril por trás, e certamente tinha mais alcance do que a revista editada no Rio, que às vezes chegava com atraso até mesmo nas bancas de São Paulo. A Auto Esporte tentava de tudo para se sobressair, inclusive publicando uma revisão anual do setor automobilístico e a promoção do Carro do Ano,  ao passo que a Quatro Rodas tinha a vantagem de editar uma coluna assinada por Emerson Fittipaldi.

 

Com a vitória de Emerson na Fórmula 1, em 1972, e transmissão de muitas corridas pela Rede Globo, aumentou demais o interesse pelo automobilismo de competição, e ambas as revistas se esmeraram mais na cobertura das corridas domésticas e no estrangeiro. O patrocínio comercial de equipes também ajudou a expandir a cobertura. A volta das provas de longa de duração da Divisão 1, em 1973, também geraram expansão e melhoria na cobertura, sendo que as revistas freqüentemente publicavam os grids e resultados completos até mesmo das provas domésticas.

 

De fato, os gráficos da Auto Esporte entre 1974 e 1976 estão entre os melhores que já vi na imprensa automobilística mundial, em termos de qualidade visual e conteúdo. A Quatro Rodas não ficava muito atrás, embora começasse a reduzir o volume de cobertura a partir de 1976, quando Emerson passou para a Copersucar, e os resultados na F-1 começaram a rarear. Em respostas a cartas dos leitores que cobravam maior cobertura esportiva, a Quatro Rodas normalmente respondia não haver “interesse jornalístico”!

 

Mas os entusiastas tiveram onde recorrer durante algum tempo. Em 1973 surgiu a revista Grand Prix, de Reginaldo Leme, certamente a melhor revista de automobilismo da época. Com muitas páginas, fotografias lindas, papel de alta qualidade e longas reportagens, a revista era realmente especializada em automobilismo, cobrindo categorias na época obscuras para o público brasileiro, como NASCAR e o Mundial de Rallyes. Entretanto, tinha poucos anunciantes, e logo desapareceu das bancas, certamente por não ter sustentação econômica. Havia também um jornal de muito boa qualidade, de freqüência quinzenal, chamado Auto Motor, que dava ampla cobertura do automobilismo doméstico e internacional.

 

Com a crise do automobilismo em 1977 (o governo inicialmente havia proibido as corridas em 1976, voltando atrás, mas os calendários foram reduzidos e provas de longa duração proibidas) e a falta de resultados de brasileiros na F-1 levou as duas grandes revistas a dedicar cada vez menos espaço ao esporte. A Quatro Rodas acrescentou náutica à sua pauta, tomando mais páginas do automobilismo de competição, e logo as duas revistas passaram a publicar somente os nomes dos dez primeiros colocados em provas domésticas. Para piorar, em alguns casos omitia-se o nome dos pilotos, publicando-se somente a inicial e o sobrenome, diminuindo o valor do registro histórico.

 

Eventualmente até a Auto Esporte começou a publicar reportagens de turismo, pois o mercado automobilístico do Brasil era muito restrito na época. Cabe lembrar que haviam somente cinco montadoras de carros no país, e as novidades eram poucas. Quantos testes do Opala ou Fusca você poderia ler na vida?

 

A era Ayrton Senna mudou um pouco o enfoque, e a Fórmula 1 voltou a ter “valor jornalístico” mas a cobertura do automobilismo doméstico continuou fraca, apesar da falta de lançamentos do setor automobilístico.

 

A questão de falta de novidades mudou quando Fernando Collor resolveu acabar com as carroças. Repentinamente, com a abertura das importações o mercado brasileiro de automóveis se viu inundado por modelos de todos os tipos, desde Bestas a Ferraris. Assim, o excesso de pauta e interesse comercial simplesmente acabaram com a cobertura automobilística na Quatro Rodas e AE. Eventualmente, Quatro Rodas e Auto Esporte (eventualmente comprada pela Editora Globo) se tornaram revistas sobre o mercado automobilístico, com breves referências ao automobilismo de competição, quase notas de rodapé.

 

Entretanto, surgiram boas revistas para compensar essa lacuna, sendo a principal a Racing. A revista Grid persistiu com boa cobertura durante alguns anos, mas foi a Racing sobreviveu, especializando-se no automobilismo de competição. Algumas revistas regionais apareceram no país afora, como a Pista Livre no Paraná, mas geralmente, sucumbiram às realidades econômicas.

 

A internet veio trazer mais modificações ainda na cobertura escrita do automobilismo. Atualmente, só a Racing publica resultados de corridas, que, presume-se, podem ser ampla e prontamente achados na Internet. Coitados dos leitores de banheiro!

 

Do lado positivo, têm aparecido muitos livros sobre o automobilismo, e até mesmo a Quatro Rodas tem publicado edições especiais de competição, e artigos sobre história das competições no Brasil na sua Quatro Rodas Clássicos.

 

Send mail to carlosdepaula@mindspring.com with questions or comments about this web site.
Last modified: March 28, 2007